Um voo é uma realização que liga duas partes, uma partida e uma chegada, uma origem e um destino. Imagine uma grande ponte que ligasse os extremos do oceano Atlântico como se fossem duas margens de um rio. Seria um grande feito, uma obra gigantesca, uma materialização fantástica, mas, deceção, a Humanidade não a conseguiu ainda alcançar neste quarto de século XXI!
Resta-nos libertar asas. Convocar a imaginação, o sonho, a fantasia. Talvez um voo o consiga realizar! Sim. Um avião, diria o caro leitor. Mas e se? Talvez…Quem sabe? Bem! Fique-se atento a outros alcances.

E se a Natureza Biológica tivesse retirado ao Homem e mantido nalguma outra espécie biológica essa capacidade de voo? E se a Natureza Geológica tivesse dado algumas pistas, alguns indicadores, outros tantos sinais de que, afinal, essa ligação é mantida pelo mar, nas suas profundezas ou nas suas revoltas? Ou ainda por terra através de traços indeléveis que só o prazer ou o sofrimento das comparações permite alcançar?

Talvez essa ligação pudesse ser, ainda, criada pelo Homem sem recurso ao avião? Através de um ideal, um afeto, um símbolo que transmitisse união entre os dois continentes através de algo? Talvez constituísse a criação mais poderosa numa ligação intercontinental. Alguns chamam-lhe diáspora.
Atente na imagem. À esquerda e direita permite-se detetar que a ilha de Rhode Island está à mesma latitude equivalente à de Portugal. Que a inclinação da nortenha costa africana, à direita, é acompanhada sensivelmente da mesma orientação, à esquerda, na América do Norte. Como se fossem duas peças de um puzzle que se encaixassem.

Mas Rhode tem algo a ver com red, vermelho. Talvez mais rude porque a expressão é vermelho em norueguês. A História conta que possivelmente um navegador dessas origens , denominado Erik, o Vermelho tenha alcançado essa costa no século IX d.c. tendo sido, na verdade, o primeiro navegante europeu conhecedor dessas paragens. E então? Que ligação para o outro lado da margem daí se deduz? Bem. À direita do mapa, assim deve o caro leitor procurar, também, terras vermelhas. Para assegurar essa ligação. Estarão elas nas falésias ou nos barros vermelhos do Algarve de aquém-mar ? Ou nos Algarves de além-mar estampadas nas muralhas ocres de Marraquexe, joia urbanística da antiga capital do Sultanato de Marrocos? Ou nos seus vales profundos e rochosos, como o DRAA, quais gargantas estreitas separadas por forças dantescas?

Estará o vermelho, antes, contido em pontos altaneiros? Nas entranhas do penhasco de Gibraltar a assinalar a entrada no Mediterrâneo? Com mais acerto, talvez nas rochas e terras das montanhas do Atlas, as mais altas do Norte de África perto do deserto do Sara, discretamente assinalado no mapa à direita?
Aí, as suas areias possibilitam outros tantos ocres nos seus pores do sol. Estes já incandescentes a assinalar uma transição magnifica entre o branco, o amarelo e o vermelho, belezas combinadas de cores sem igual que só um elemento biológico superior as poderia ligar num símbolo glorioso. No deserto do Sara, nascerá um amor que fundirá dois continentes.
Aqui entra a heroína do romance histórico, o Voo da Águia, a Águia Vitória! Ela era Victory nos Estados Unidos e será Vitória em Portugal. Vai realizar um feito inigualável. A ligação entre as duas margens do rio, os extremos do oceano. Um voo intercontinental. Aportará à Praia da Vitória, na Terceira, nos Açores. Contará com a geografia favorável das latitudes, o nascer do sol, a ajuda de outras aves, o engenho do seu cuidador envolvido num romance amoroso e profundo. E ajudará a realizá-lo favoravelmente.

Tudo terá um palco. O Atlântico. Nome natural de um oceano baseado em elementos divinos, os deuses Atlantes que impulsionaram a sua criação tendo como objetivo dividir as massas de terra em dois continentes distintos. Todavia, como eram plurais, não foram perfeitos e alguns pedaços de terra não conseguiram ser separados pelo mar e ficaram sensivelmente a meio da divisão criada.
Ao ilustre leitor cabe ampliar o mapa com que se deparou no inicio com as ferramentas digitais disponíveis ou imaginar que melhor sitio corresponde à descrição e chegará à conclusão de que o arquipélago dos Açores e suas ilhas são a melhor localização para apoiar a ligação entre América do Norte e Europa. Ou entre Rhode Island e o deserto do Sara. As origens e destinos, na sua imaginação, são, por si, livremente escolhidos. Talvez, ali, se pudesse edificar o melhor pilar para a grande ponte intercontinental idealizada. Outros pensaram a fizeram em colocar, ali, bases e pontes aéreas.

Mas sem ponte, temos a águia Vitória. Que símbolo de união com a Europa trouxe dos Estados Unidos? A divisa “e pluribus unum”. Que significa “de todos um só espirito”. Antiga convocação histórica de todas as colónias americanas contra a opressora monarquia britânica. A águia, ela própria, é símbolo de liberdade. A divisa que transportou significa união, realização e destino comum.

O vermelho, amarelo e branco são, também, o resultado dessa união, das cores que exaltam sacrifício, purificação e energia. Entre o vermelho de Rhode Island e os desertos do Sara estão os Açores, o palco em que João Bensaúde e Rosa Bettencourt, os amantes deste romance, conseguiram consolidar a união e a felicidade de ambos. Na Terceira, Praia da Vitória. Com a ajuda da águia Vitória. Pois esta conseguiu aportar um importante remédio para um problema de saúde de um dos amantes.

Não se surpreenda, caro leitor. As coisas acontecem onde têm de acontecer. Com os êxitos que lhe estão destinados. Com os símbolos, as cores, as divisas, os brasões que têm de aparecer. Com as semelhanças que são o modo de as explicar. Entre águias e açores, as duas espécies biológicas garantem voos altaneiros e certamente gloriosos em função do contexto que os convoca.
Que importa? Tudo parece igual a uma outra grande instituição de futebol nacional, o Sport Lisboa e Benfica. Porque tiveram raízes semelhantes. Numa História comum, de açores e águia. De Saúde e Sucesso! Na Praia da Vitória.

O símbolo centenário do Santa Clara, nos Açores, foi o sinal, o testemunho, o tributo que o clube prestou ao Sport Lisboa e Benfica nesta relação de quase parentesco. Entre claridade e luz, as esperanças são as mesmas! Explica-se um dos maiores mistérios simbólicos da história do futebol nacional, a criação do Sport Lisboa e Benfica. Venha conhecê-la no” Voo da Águia”.